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11 de maio de 2011

NO TOCA-FITAS DO MEU CARRO




CROSBY, STILLS & NASH

Um baita disco de Country-Rock, gravado em 1969, com David Crosby, Stephens Stills e Grahan Nash, antes da inclusão no grupo do estranhíssimo e maravilhoso Neil Young.

Todas as músicas são de autoria dos tres, em solo ou em dupla, o que reforça a qualidade do trabalho de cada um individualmente.

Eu ouço e reouço várias vezes:

SUITE: JUDY BLUE EYES, GUINEVERE, YOU DON'T HAVE TO CRY, WOODEN SHIPS.



25 de agosto de 2009

17 de julho de 2009

MAYSA

ESCUTA NOEL
Maysa

onde estás noel?
que não escutas
os plagios das tuas musicas
que se ouvem por ai

frequentaste tanto tempo
a academia de melodia
e samba não se faz de amizade
ou simpatia

o samba agora criou
outro estilo
sambista só sabe sambar
pra granfino

e a favela agora ponto
de turista
de society de artista
e a poesia acabou

vem noel
vem fazer a serenata
tua musica faz falta
e ninguém nunca igualou

MAYSA 2


Em 1958, o nome da cantora Maysa foi notícia, TODOS OS DIAS (isso é verdade), em pelo menos um órgão da imprensa carioca ou paulista.

Hora numa crítica musical, hora em colunas de fofocas - seu comportamento avançado demais para a época era um prato cheio. Até em noticiário político a musa apareceu.

Reza a lenda que a cantora dos mais belos olhos verdes do mundo foi sondada para ser possível candidata a deputada federal, pelo PTB, a convite de João Goulart, na época vice-presidente de Juscelino Kubistcheck.

Na mesma época, Adhemar de Barros a teria convidado para sair candidata a vereadora.

Seu pai, conhecido entre os íntimos por Monja, foi deputado. Imaginaram as raposas da política, que filho de peixe é peixinho.

Resposta da bela quando saiu a manchete "Maysa Matarazzo convidada por Goulart e Adhemar para ser candidata" :

- Eu não serei candidata, nem sou Matarazzo.

Perfeita.

Fonte: Maysa, Só numa multidão de amores. Livro de Lira Neto, Globo Editora

13 de julho de 2009

ANIVERSÁRIO DO JOÃO

João Bosco apaga as velinhas. O mineiro, nascido em Ponte Nova, em 1946, inventou um estilo todo seu de tocar violão. Estilo esse copiado por vários violonistas da noite. Eu, que não toco nada de violão, fico me maravilhando com suas músicas.
'Fascinio tenho eu por falsas loiras
Ai a negra lingerie'.
Pelo menos dois de seus discos são essenciais: Galo de Briga e Linha de Passe.
Na quartinha bem mais de João Bosco.
Vou ouvir Latin Lover, pra não me esquecer de olhar o sinal adquirido numa queda de patins em Paquetá.

7 de julho de 2009

DEU NO JORNAL : ASA BRANCA ABATIDA

Casa de Luiz Gonzaga, em Exu, pode desabar, por falta de manutenção.
Esta casa, onde o compositor viveu, hoje, faz parte do Parque Aza Branca, comprado pelo rei do baião na década de 70.
É memorial, com objetos pessoais do artista: sanfonas, fotos, armas, trajes. Também é seu mausoléu, da mulher e dos pais.
A administração do Parque é feita pela ONG Parque Aza Branca, hoje proprietária de maior parte da propriedade.
Lua merece melhor sorte.
Com a palavra, os senhores da cultura do país.

A BELEZA E O GROTESCO

Domingo pela manhã, eu de bobeira em casa, curtindo aquela preguiça que aparece no dia seguinte a um show maravilhoso da Maria Rita. Sentadão no sofá zapeando defronte a televisão. De repente, o susto. Um negócio altamente brega aparece diante de meus olhos. Simpatizante da molecagem cearense, deixei-me ver por alguns segundos tal coisa.

Alguns segundos, pois a falta de qualidade, de qualquer elemento civilizado, de um mínimo de bom gosto, não me permitiu permanecer por mais tempo naquele calvário, por maior que fosse a preguiça. Imagine a cena: Um locutor de rádio fazendo um programa de televisão só falando palavrões, acompanhado por uma trupe de artistas de circo de horror. Uma mulher com várias arrobas de peso, usando uma roupa colada, fazendo-se de gostosa, com a saia cobrindo metade das ancas. Dois ‘travestis’ famintos e mais sei-lá-o-que, dentro de um estúdio que parece mais um depósito. Acho mesmo que aquilo deve ser televisionado no depósito da empresa.

Uma palavra define: GROTESCO. Se o humor alencarino é isso, é o caso de se chorar ao invés de rir. Dá vergonha de ser cearense.

Felizmente, o homem criou o controle remoto. Dois cliques e me vejo diante do Sr. BRASIL, com Rolando Boldrim. Alívio. Existe inteligência na televisão.

Estava se apresentando, neste programa, a cantora Adriana Peixoto, filha de Araken Peixoto, célebre trompetista, e sobrinha de Cauby Peixoto. Aquele mesmo do vozeirão. Pois a Adriana segura legal a honra da família. Uma voz muito bem colocada, bons músicos acompanhando e um repertório bem bacana. Some-se a isto um papo muito agradável com o apresentador, emérito contador de ‘causos’.

O próximo convidado: Lenine. Como é agradável ouvir este nosso vizinho. Me surpreendeu a desenvoltura com que ele e o Boldrim iam discorrendo ‘causos’ e letrinhas nordestinas, além de teoria musical.. Em dado momento desta entrevista falou que gosta mesmo é de viajar, e que resolveu ser músico para realizar essa vontade. Se esmerou o rapaz. O Lenine não é só mais um compositor e cantor. Ele realmente entende de música. Nota-se ali um estudioso do que faz.

Ao fim do programa, o placar beleza dez, falso humor em forma de baixaria zero.

6 de julho de 2009

MARIA RITA NO COCÓ

foto obtida na internet
Sábado. Onze da noite. Depois de duas horas debaixo de chuva, vejo entrar no palco armado no Parque do Cocó, Maria Rita.
Gosto do trabalho dela desde o primeiro CD, apesar de ouvir com mais freqüência o último Cd, Samba Meu. Na capa e no disco, uma mulher sensual, bem resolvida. Maria Rita está mais para ‘I just wanna make love to you’ do que para ‘ninguém me ama, ninguém me quer’. E foi com o espírito de ver essa diva que foi assistir ao show.
Só que, confesso, não esperava tanto. O que entrou no palco não foi uma mulher. Foi um furacão, que deixou as não-sei-quantas mil pessoas que estavam lá, totalmente atordoadas, maravilhadas, embasbacadas. Pela primeira vez, em tempos, pude chamar uma mulher de gostosa sem ser repreendido. Até porque as mulheres da platéia também estavam achando a mesma coisa.
Um micro vestido prateado sobre uma obra prima de Deus, montada num sapato com aquele salto, próprio para espetar coração. E ela conseguia andar e dançar sobre eles. Quer dizer, sobre nossos corações. E desliza, e desliza ao som de Samba Meu, Tá Perdoado e Maria do Socorro.

Passado o susto, começo a me refazer e meus ouvidos começam a comandar meus sentidos. A visão cede espaço à audição. Aí, outra paulada. Que voz divina!Qualquer idiotice do tipo ‘ela-canta-igual-à-mãe’ vai por água a baixo. Maria Rita é! E prova isso bem direitinho cantando um dos hits da Elis, ‘Encontros e Despedidas’. E a bichinha ainda estava gripada. Até dando uma tossesinha disfarçada ela encantou. Foram duas horas de puro encantamento. A Janis Joplin disse que em um show 'fazia amor com dez mil pessoas'. Pois, a Maria Rita 'comeu' todos nós.
A Márcia, amiga que estava do nosso lado durante o show, comentou que ‘uma coisa muito legal é um bom produto ser bem apresentado’. Concordo plenamente. O fato de ela crescer em berço musical, ter um coreógrafo e um diretor de show excelentes, ser acompanhada de músicos maravilhosos e ter uma cozinha de roads, iluminação e som competentíssima, só faz abrilhantar seu trabalho. A apresentação perfeita de uma cantora perfeita.
Valeu, Maria Rita. Você é uma pessoa diferenciada.

DE BOB DYLAN A AVIÕES DO FORRÓ

Bob Dylan foi chamado de ‘traidor’ pelos fãs mais ortodoxos do folk, porque teve a coragem de eletrificar o seu violão. Estamos na primeira metade da década de sessenta, quando, até então, a música ‘caipira’ americana só era tocada por violões acústicos.

A escolha de incorporar elementos do incipiente rock’n’roll , valeu-lhe a repulsa dos mais ortodoxos, mas impulsionou sua carreira em áreas menos ‘country’ americanas, na Europa e daí para boa parte do mundo. Hoje, o cantor é reconhecido mundialmente como referência de música de qualidade e ainda é porta voz do povo americano, principalmente aquele ‘mais pro oeste’ que ele quis retratar desde o início da carreira. Em outras palavras, ele universalizou-se sem perder as origens.

Fenômeno igual, ou seja a modernização musical, já havia ocorrido no jazz e no blues. A música acompanha a evolução tecnológica, incorpora o que lhe convém e se universaliza.

No Brasil, na década de setenta aconteceu mais ou menos a mesma coisa. O samba eletrificou-se nas mãos de Jorge Ben, Banda Black Rio, Antônio Adolfo, para não falar de outros. A música do morro ‘comprou’ elementos do rock e do soul, surgindo o Samba-Rock. Ainda temos o fenômeno Tim Maia que, se você reparar bem, misturou uma pitada bem boa de samba e MPB ao soul. Não é à toa que é tão bom. O maior representante, ou o mais conhecido, do Samba-Rock de hoje é Seu Jorge. Seu último trabalho é interessante demais.

Aqui do ladinho, em Pernambuco, o Mangue-beat. Suassuna me perdoe, mas a eletrificação da música tradicional nordestina e a colocação de elementos do pop, em momento nenhum, no meu entender comprometem a qualidade de sua música. Na cola do Chico Science, que viajou fora do combinado, tem uma pá de gente fazendo música com base nordestina e um pé no pop. Entre eles, eu prefiro o Lenine.

Sábado passado quem foi ao Parque do Cocó foi brindado com uma agradável surpresa. Uma banda de Samba-rock , ‘Grovital’, que abriu o show da Maria Rita. O som da banda botou a galera prá dançar. Foi mais de uma hora de puro divertimento.

Agora, chegou a vez dos ‘Aviões’. Me lembro de ouvir o forró eletrônico pela primeira vez nos anos noventa. Era uma febre de Mastruz com Leite e Forró Maior. De lá pra cá, no meu entender o inverso da história. Alencária tem uma péssima mania de vez por outra botar o seu bonde na contramão. O bonde do ‘forró-pop-love-romântico’ (sic) está tão na contramão que daqui a pouco vai descarrilhar, se Deus quiser. A qualidade da música que toca no rádio, principal veículo de divulgação, é de uma falta de qualidade mastodôntica. As letras não beiram o ridículo. São ridículas. Na maior parte só falam de futilidades ( Ih, choveu/O cabelo encolheu...), ou sexo pago (Dinheiro na mão/Calcinha no chão). Não que eu ache que seja proibido ter momentos de futilidade ou de sexo sem compromisso na vida. Mas, até prá isso é preciso ter charme. E isso, essas sub-bandas de música ruim definitivamente não têm.

16 de junho de 2009

NO TOCA-FITAS DO MEU CARRO

Quando pus os olhos no disco Lágrimas Negras de Bebo & Cigala, gostei logo da capa. O desenho rústico, mas muito forte, de lágrimas descendo de olhos aparentemente femininos. Um preto e branco belíssimo.
Ouvindo o CD, outra surpresa. Um disco raro e insólito, onde o cantor espanhol Diego El Cigala, com um vozeirão gitano, canta boleros e músicas afro-cubanas, com fortíssima base flamenca. Sua interpretação flui entre Havana e a Andaluzia, dentro da idéia de se fazer um disco experimental para demonstrar que é possível encontrar elementos comuns na música popular espanhola e na iberoamericana.

Tudo isso, sob a batuta do extrordinário pianista cubano Bebo Valdés, vencedor de dois Grammys por Sabor de Cuba, que impõe o feeling da sua música, própria da ilha. O disco inclui uma interpretação muito bacana de Eu sei que vou te Amar, com a participação de Caetano Veloso. E Paquito D’Rivera dá o ar de seu sax na faixa título.
Músicos maravilhosos à parte, grande interpretação de Vete de Mi, só com a voz de Dieguito El Cigala e o piano de Bebo Valdés. Três minutos de pura dor de cotovelo.
Melhor finalizar transcrevendo do encarte (muito bom, por sinal): ‘Este disco, antes que um experimento, é um gozo esplêndido e surpreendente(...) cujo premeditado e maléfico propósito não é outro, a não ser, fazer em pedaços o coração.

4 de maio de 2009

DE IRERÊ PARA A BILLBOARD


Segundo o próprio Tom Zé, ele não sabe tocar, cantar, nem compor. O pior é que o Brasil cada vez mais careta, começou a creditar nisso e relegou o baiano de Irará a um ostracismo, que quase o fez desistir da carreira e se transformar em gerente de um posto de gasolina na Bahia. Por pouco o maluco, que ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, formou a linha de frente baiana da Tropicália, em 1967, que contava ainda com o maestro Rogério Duprat, os Mutantes, Capinam e Torquato Neto, não nos deixou na saudade.

Autor de sucessos como São São Paulo; Augusta, Angélica e Consolação; Se o caso é chorar, em 1986, desiludido da carreira soube que seu disco Estudando o Samba, de 1976, foi comprado num sebo, por David Byrne, líder do Talking Heads, um dos maiores grupos pop dos anos oitenta, que encantou-se de cara com sua música. E Tom Zé virou Fênix. Depois de comer o pão que o diabo amassou, levando porta na cara de tudo quanto era de gravadora, em 1991 viu uma coletânea de sua obra chegar ao 10º lugar da parada de "world music" da "Billboard". Precisou um estrangeiro dizer para nós brasileiros, que aquele músico abandonado merecia ser mais ouvido.

E nós, graças ao David Byrne, aprendemos a reouvir o desconstrutor do samba, que continua o mesmo polêmico e irônico. 1990 pra cá, vale a pena conferir, no mínimo, The Hips of Tradition; Com Defeito de Fabricação; Jogos de Armar-Faça Você Mesmo e Estudando o Pagode.