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3 de março de 2009

ALTERIDADE

O que é alteridade? É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele.
Alteridade é um termo relativamente novo, tanto que nem o dicionário Aurélio o registra, mas seu significado reflete uma nova mentalidade, aquela que deveria vigorar na civilização que, certamente, transformaria a Terra num mundo de regeneração porque se refere à aceitação das diferenças; também significa a não-indiferença, o aprender com os diferentes, o amar ou ser responsável pelo outro, aceitando e respeitando as suas diferenças.
Palavra que representa, em sua profundidade, as leis cósmicas de convívio entre os seres.
Eu não existo sem o outro. Uma fala de Frei Betto sobre o assunto (mais do miolo).

11 de fevereiro de 2009

ETIQUETAS E CELULARES


Ninguém duvida que o avanço incansável da tecnologia nos dias vigentes, perpetra mudanças de comportamento e de relações sociais. Novas formas de relacionamento exigem novas regras de educação, novas normas de etiqueta social.
Bisbilhotar no celular ou na caixa de emails do companheiro ou do amigo é do ponto de vista da elegância, um crime sem perdão. Zapear no celular ou na caixa de emails de alguém só com convite formal.
Resolvi abordar esse tema quando me lembrei de ter visto anos atrás, um casal entrar em zona de atrito, num restaurante famoso, aqui na Loira do Sol, porque o mancebo aproveitou uma saída rápida da cocota que o acompanhava, para xeretar no celular cor-de-rosa da moça. Nada mais invasivo!
Um amigo, ainda na época do tijolão, o PT550 da Motorola, dizia em alto e bom som que sua amantíssima esposa não tinha seu aval para atender ou ligar de seu celular. É um objeto pessoal, dizia. E na época, eram ainda poucos os aparelhos.
Nesses tempos em que a nossa privacidade é um bem cada vez mais passível de derrota, vide o sucesso daquele programa líder de público, que passa atualmente na Vênus Platinada, é mister que procuremos de alguma forma, nos resguardar e resguardar os nossos pares.
Em tempo: não tenho a menor idéia de como terminou a noite do casal acima citado, mas ela deve ter percebido que o fuleiro era bisbilhoteiro e, por conseguinte um tremendo fuxiqueiro, ou fuxiquento, como se dizia na saudosa Felino Barroso.

29 de janeiro de 2009

29 de janeiro – Dia da Hospitalidade

Segundo o “Aurélio” hospitalidade é:
1. Ato de hospedar; hospedagem.
2. Qualidade de hospitaleiro.
3. Acolhimento afetuoso.

Reza a lenda que, fazia parte das gentilezas de outrora que, uma vez em nossas casas, os hóspedes fossem providos de uma alcova reservada, com uma rede limpa e um penico. Guardadas as proporções, essa prática ainda existe, ou resiste. O cearense ainda tem a ingenuidade de trazer a pessoa para sua casa, apesar dos tempos bicudos deste século ainda criança. Vez por outra, chega à terrinha alguém do sul-maravilha ou de outras plagas, para aportar em nossa casa, indicado por um parente ou amigo distante.
Na década de setenta, a cidade, ou pelo menos a Aldeota, se encheu de rapazes e moças "gringos" vindos de programas de intercâmbio, e era uma festa. Chegava-se a ponto de se fazer verdadeira reforma nas casas para receber esse povo de fora. Quantos namoros foram sementados nessas recebidas. Rapidamente, me lembro do Renato, que desvirginou seu coração com uma garota peruana que estudava em São Paulo e veio de férias, com uma prima dele, para se hospedar na sua casa. A Lidu, que alojou o Fran, na base de “a casa é pequena, mas a gente se ajeita” e apaixonou-se pelo guapo rapaz de tal modo, que o paulista demorou mais de ano a ir embora, mesmo sem encontrar aqui um emprego que achasse merecedor.
Mais recentemente, quando era salutar se ter uma residência de veraneio numa praia próxima, desenvolvi alguns projetos arquitetonicos para tal fim. Invariavelmente, havia a solicitação para se incluir no programa o quarto dos pais, ou melhor, das visitas, afastado dos quartos principais, com infra-estrutura própria, banheiro e closet, para que os eventuais usuários não tivessem qualquer transtorno de acomodação na curta estadia. Por vezes, esses quartos ficavam meses desocupados, numa relação custo-benefício que não se explicava pela lógica. Não existia lógica nos corações dos proprietários dessas casas. Apenas, a vontade de receber bem quem se queria bem.
Isso, sem falar de pessoas mais despojadas e mais desprovidas financeiramente, que colocam estranhos dentro de casa por puro desejo de acolher. Ainda hoje, se ouve falar em “Fulana, que saiu do interior e está morando na casa de uma mulher em Fortaleza”.
Um conhecido meu, casado com dois filhos, recebeu o seu cunhado e duas sobrinhas nessas férias de janeiro, para hospedar em um apartamento de três quartos, quase que duplicando a populaçao da casa. Ao ser indagado como estava a casa, depois que as visitas embarcaram de volta à terra de origem, responde pesaroso:
- A casa está mais desocupada, mas o cardápio diário sofreu uma desvalorização. Com as visitas o padrão era outro!